sexta-feira, 21 de setembro de 2007


Noções Básicas de HIPERTEXTO

Cláudia Correia e Heloísa Andrade


''Esta parte do trabalho objetiva oferecer ao leitor uma noção básica sobre a construção de hipertextos, estabelecendo os princípios fundamentais que norteiam a sua construção e desenvolvimento. Com isto espera-se, de uma forma conceitual, compreender as representações, os processos e modos de construção do conhecimento a partir da aplicação desta filosofia de organização da informação e do conhecimento.''


1. Introdução.

Os estudos sobre os processos de comunicação na era dos meios eletrônicos percorrem o inevitável caminho de construir e desconstruir conceitos. As categorias conceituais que compõem o universo da chamada comunicação contemporânea não têm características rígidas e guardam entre si uma estreita relação. Noções como interface, interatividade, hipertexto, hipermídia, virtual, ciberespaço, cibercultura e outras, parecem indicar não apenas uma redefinição do papel dos meios de comunicação no contexto histórico e cultural da humanidade, mas um novo direcionamento das relações do homem com tudo que cria, da palavra como ordenação do pensamento ao moderno e sofisticado computador. Se a hipertextualidade não é uma "invenção" moderna já que encontram-se alguns registros históricos dessa estrutura narrativa em obras na Ciência, na literatura e na Filosofia, ela ganha impulso com o avanço da crescente ação dialógica entre o homem e a técnica. Tomando a concepção de hipertextualidade como ponto de convergência de outros conceitos, constatamos que ela revela os limites e por isso mesmo, a falência do discurso tradicionalmente lógico, acabado, fechado em si. As infinitas possibilidades de conexões entre trechos de textos e textos inteiros favorecem a flexibilização das fronteiras entre diferentes áreas do conhecimento humano.


2. Conceituando Hipertexto.


Segundo Landow (1992), o hipertexto põe em cheque: sequências fixadas, começo e fim definidos, uma estória de certa magnitude definida e a concepção de unidade e todo associada a todos esses conceitos. Na narrativa hipertextual , o autor oferece múltiplas possibilidades através das quais os próprios leitores constroem sucessões temporais e escolhem personagens, realizando saltos com base em informações referenciais.
Segundo Heim(1993), o hipertexto é um modo de interagir com textos e não só uma ferramenta como os processadores de textos. Por sua característica, o usuário interliga informações intuitivamente, associativamente. Através de saltos - que marcam o movimento do hipertexto - o leitor assume um papel ativo, sendo ao mesmo tempo co-autor. Para Ted Nelson, o hipertexto possibilita novas formas de ler e escrever, um estilo não linear e associativo, onde a noção de texto primeiro, segundo, original e referência cai por terra. Poderiamos adotar como noção de hipertexto assim , o conjunto de informações textuais, podendo estar combinadas com imagens (animadas ou fixas) e sons, organizadas de forma a permitir uma leitura ( ou navegação) não linear, baseada em indexações e associações de idéias e conceitos, sob a forma de links. Os links agem como portas virtuais que abrem caminhos para outras informações. Para Lévy (1993) o hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. O hipertexto é um comjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos , sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertexto. Os itens de formação não ligados linerarmente, como em uma corda como nó, mas cada um deles, ou a maioria, estente suas conexões em estrela, de modo reticular.


Para caracterizar o o hipertexto, Lévy recorre a seis princípios, que proporciona uma visão panorâmica, que, organiza, rezume e amplia a idéia de rede que se pretente construir.


Princípio de metarmofose
Princípio de heterogeneidade
Princípio de multiplicidade e de encaixe das escalas
Princípio de exterioridade
Princípio de topologia
Princípio de mobilidade dos centros.


A compreensão de hipertexto para Conklin (1987) , segundo Apud Leiro (1994) , janelas na tela são associadas com objetos na base de dados e ligações são estabelecidas entre estes objetos, tanto graficamente, na forma de marcas rotuladas, como na base de dados na forma de ponteiros.
Para Smith (1988), conforme ainda Apud Leiro (1994) , hipertexto é uma abordagem da gestão de informação na qual os dados são armazenados em uma rede de nós conectados por ligações. Os nós podem conter textos, gráficos, áudio e vídeo, bem como programas de computador ou outras formas de dados. Para Shneiderman & Kearsley (1989) , referenciados em Apud Leiro (1994), o hipertexto pode ser uma rede de nós e ligações entre documentos, onde documento são nós e as ligações são referências cruzadas. As redes podem ter a forma de hierarquia, embora geralmente as associações entre os nós sejam mais complexas. Os nós ligações não se restrigem a textos, mas podem ser gráficos, fotos, sons narração ou sequência animadas (vídeo). Quando os documentos são de natureza (tipo) multimeios, o termo hipermídia é frequentemente usado.


3. Percursos de Hipertexto


3.1. Nós


Segundo Leiro (1994) os nós são as unidades de informações em um hiperdocumento que podem conter um ou mais tipos de dados: texto, figuras, fotos, sons, sequências animadas, código de informação e outros .É conectada por ligações em uma variedade de estruturas.
Cada nó corresponde a uma ou mais exibições de tela. Os nós são denominados de maneira diferentes conforme o sistema :
molduras (KML)
roteiros (AUGMENT)
artigos (HyperTIES)
documentos ou objetos (GUIDE)
cartões (NOTECARD e HyperCARD)
Portanto pode-se dizer que embora não exista um modelo padrão de nó, ele descreve geralmente um único conceito ou tópico de modo a ser autocontido, não dependendo da leitura prévia de outros nós. Daí, poder afirmar que a continuidade entre os nós é fornecida pelas ligações. Alguns sistemas permitem nós de diferentes tipos, como referências, anotações e ilustrações. São geralmentes indicados por diferentes cores, tipos de caracteres (fontes) ou ícones.

3.2.Ligações (LINKS)


Pode-se dizer que a ligação (link), é o conceito básico mais importante no hipertexto .No hipertexto ligações são marcas que conectam um nó com outro. Quando uma ligação é ativada, um salto é feito para o ponto associado pela ligação, que pode ser uma palavra, frase ou nó inteiro do mesmo documento ou de outro.
As ligações são geralmente representadas por pontos na tela que indicam a origem ou o destino das ligações. Podem ser palavras ou frases em destaque (negrito, itálico ou cores), mas também podem ser gráficos ou ícones.
As ligações podem produzir diferentes resultados:
transferir para um novo tópico;
mostrar uma referência;
fornecer informações adicionais: como nota de rodapé, definição ou anotação;
exibir uma ilustração, esquema, foto, definição ou sequência de vídeo;
exibir um indice;
executar outro programa de computador, como , por exemplo, programa de entrada de dados ou rotinas de animação.
A estrutura de um hipertexto determina e descreve o sistema de ligações ou relacionamentos entre os nós ou unidades de informação. Ela deve refletir a estrutura organizacional do assunto relacionado ou a uma rede semântica de um especialista


3.4. Trilha

É uma sequência de nós ligados que representa a rota seguida pelo usuário durante o processo de navegação pela estrutura.


3.5. Navegação
Navegar em um hipertexto significa desenhar um percurso em uma rede que pode ser tão complicada quanto possível. Porque cada nó pode , por sua vez , conter uma rede interativa. Portanto pode-se dizer que navegar significa direcionar uma mudança de foco ou movimentação em relação ao conhecimento dísponível na base ( hipertocumento).
Mecanismo da Navegação:


a) Folheio


O usuarío de hipertexto podem atravessar nós e ligações com naturalidade à procura de algo de interesse. A manipulação direta possibilita um modo amigavel de interação.


b) Pesquisa

Embora o folheio seja um meio de se achar informações em uma base hipertexto, ele só funciona para ligações predefinidas.Muitos sistemas hipertexto possibilitam ao usuário fazer pesquisas por meio do documento de modo a achar nós com informações específicas, isso geralmente é feito com pesquisa por cadeias de caracteres em todo o documento.


c) Filtros


Os filtros são um mecanismo fornecido por muitos sistemas para esse tipo de seletividade. Podem ser implementados mediante palavras-chaves ou atributos de nós ou ligações . Segundo Leiro as caracteísticas de filtragem e pesquisa devem ser complementares. O filtro visa a restrigir a quantidade de informações exibidas, enquanto o papel da pesquisa é localizar informações específicas.


d) Índices


Embora as ligações ofereçam o meio principal para conexão de informações, a indexação torna possível dispor a informação alfabeticamente ou pesquisar termos específicos.Para Leiro, uma lista alfabética detítulos de nós pode ser útil para localizar informações sobre conceitos mais gerais conhecidos pelo leitor.A grande limitação dos indices é a necessidade de o autor ter indexado cada palavra ou frase que o usuário deseja encontrar. Por isso, muitos sistemas hipertexeto oferecem a possibilidade de pesquisa em texto.

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